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    • EXISTE?? EXISTE SIM!!

      Categorias: Segurança

      A realidade supera as mais criativas formas de ficção. Nenhum vilão criado até hoje pela indústria cinematográfica pode superar as maldades cotidianas cometidas por pessoas que podem estar muito próximas a nós.

      Por entendermos que a essência do Homem é boa, distraímo-nos acreditando que todas as pessoas agem baseadas na bondade. Não é sempre assim.

      É fato que existem mentes perigosas, dispostas a destruir pelo prazer de destruir; ardilosas, inteligentes e completamente desvinculadas da lógica, da racionalidade, da moral e da ética.

      Essas pessoas estão conosco nas ruas e no trabalho, no lar e no encontro casual em um shopping center. Elas procuram “vítimas” e, frequentemente, as encontram entre as pessoas mais frágeis, bondosas e afetivas. Elas têm predileção por pessoas que demonstram lacunas emocionais doloridas – pessoas fragilizadas que acreditam em tudo o que possa parecer uma possibilidade de curá-las dessas dores.

      Na Era Cristã, já se falava daqueles que devoravam a casa das viúvas, aproveitando-se de sua solidão e carência. As coisas não mudaram, apenas sofisticaram.

      Sim, há pessoas destituídas de sentimentos de compaixão, amor e empatia. E elas, por aparente ironia, são as que mais acusam as outras pessoas de serem assim. O disfarce perfeito: a mãe que não age como mãe, mas finge preocupar-se ilimitadamente com os filhos; o pai que não age como pai, não protege, não provê, não se envolve, mas chora de saudade dos filhos para os quais nunca liga ou visita; a irmã invejosa da beleza da mais nova que chantageia a mãe para tornar a outra “borralheira”; a terapeuta sexual, que sequer estuda o assunto, mas é excelente para palpitar na vida dos outros com ares de especialista, enquanto em casa possui vida íntima destruída e dedica-se a prejudicar pessoas e afastar amizades que favoreçam o crescimento do marido, que quer cativo.

      Há milhares de pessoas que espancam com as mãos, outras com palavras, chefes tiranos, negociantes gananciosos e uma categoria sem fim de vilões cotidianos com os quais cruzamos nas esquinas de nossas vidas. Isso quando não passamos a dividi-las com eles.

      Há quem defenda que os vilões são apaixonantes, ao menos para o delírio dos que lhes querem servir de vítimas.

      O fato é que podemos estar tomando café da manhã com o inimigo, dormindo com a inimiga, trabalhando lado a lado com o traidor e até mesmo, nos tornarmos vilões de nós mesmos – sabotando nossa própria felicidade e agindo com crueldade com relação a nossa própria vida.

      Há muita maldade no mundo e a maldade é ausência de amor. Todo aquele que não ama e não recebe amor corre grave perigo. Trate o mal com o bem, amando o próximo, especialmente o mais próximo, mas cuidado para não levar o inimigo para dentro de casa e de não confundir inimigos com amigos.

      A patologia da maldade é perigosa, desestruturante e de consequências imprevisíveis. Se fizéssemos uma pesquisa nos manicômios sobre as origens que conduziram pessoas antes consideradas normais até aquele estado encontraríamos o egoísmo, a vaidade, o orgulho e o prazer em provocar deliberadamente a dor, na base da imensa maioria dos fenômenos a que convencionamos chamar loucura.

      Todo vilão é um “louco” em potencial, com incrível capacidade de tornar-se um “louco” realizado!

      Não desacredite da humanidade, tampouco ande por aí de maneira desavisada convidando vilões para jantar. Na vida real, a despeito da novela, poderá não haver ninguém da produção para salvá-lo das consequências, nenhum diretor para dizer: – “Corta!”

      Vilões de verdade não param, não desistem e não obedecem a direção alguma. Estão doentes, precisam de ajuda. Se quiser ajudá-los, não se torne uma vítima, vítimas nem sempre têm uma segunda chance! Mesmo que seja para ajudar…

      Os bons sofrem demais porque esquecem que também é bondade denunciar e não aceitar a maldade. Ser conivente com a vilania é uma maneira de se aproximar da aquisição de seus hábitos. Saia desse âmbito de ação. Neutralize as possibilidades de que apliquem vilania à sua vida.

      Se você consentir ser prisioneiro ou refém de algo ou alguém, não faltarão candidatos à vaga de vilões e sequestradores do seu destino.

      A realidade supera, em muito, à ficção. Fique alerta, troque de canal, vire a página, abandone a história, esqueça a personagem…

      Liberte-se!

    • Saudável ação de solidariedade e fraternidade

      *por Carlos Hilsdorf
      Quando pensamos no Natal, sentimos no ar uma atmosfera especial. Não é pelas festas, não é pelos presentes… É pelo Aniversariante.
      Nos aniversários costumamos dar presentes aos aniversariantes… Mas que presente dar a Jesus?

      Mesmo que você não seja cristão, esta reflexão também se aplica, afinal a mensagem de Jesus não se dirige apenas aos cristãos, ela é universal.
      Uma prova disso é que um dia, Mahatma Ghandi, cuja religião era o hinduísmo, disse:

      “Se perdêssemos todos os livros sagrados do mundo e salvássemos apenas as doze linhas do Sermão da Montanha, não teríamos perdido nada. Mesmo não sendo cristão eu admiro muito a Jesus!”

      Quando damos presentes a um aniversariante querido, um amigo, uma amiga, não nos importamos se ele possui a mesma religião, a mesma etnia ou a mesma preferência sexual que nós manifestamos. Se a pessoa em questão é nossa amiga, isso basta.

      Jesus é o Divino Amigo de todos nós, Ghandi foi advogado da causa da humanidade e a sua proposta de não-violência (ahimsa) beneficiou a todos.
      Se fôssemos dar um presente de aniversário a Ghandi, provavelmente lhe ofereceríamos um presente que representasse a não-violência. E para Jesus? Que presente de aniversário ofereceríamos?

      Os recentes acontecimentos climáticos que abalaram Santa Catarina talvez nos ofereçam a resposta. Muito mais rápido que o governo e as demais autoridades, muito mais rápido que as redes de rádio e televisão, agiram as pessoas comuns, pessoas que na linguagem cristã denominaríamos de “os semelhantes” e o “próximo”.

      Há vários tipos de “semelhantes” e de “próximos”…

      Há os semelhantes que se assemelham e, por estarem vivendo a mesma situação, manifestam uma solidariedade quase que espontânea, fruto da empatia de estarem vivendo dores e traumas profundamente similares. Mas, mesmo nesse primeiro caso, vale observar que essas pessoas agiram baseadas na fraternidade e não motivadas por egoístas reações do tipo “primeiro eu, minha família e minhas coisas”. Presenciamos casos de pessoas que perderam muitos de seus bens, exatamente enquanto ajudavam seus vizinhos a salvarem os deles! Esse é um exemplo maravilhoso de desprendimento, de amor incondicional ao próximo.

      Há os semelhantes que mesmo sem estarem vivendo uma situação idêntica ou parecida já treinaram a mente e o coração nas disciplinas da empatia, do amor e da solidariedade e “entendem” a dor do outro, mesmo sem terem vivenciado algo parecido. Para as pessoas de bom ânimo (outra expressão cristã) bastam as pequenas dores para compreenderem e se solidarizarem com outras menores e maiores que as suas.

      Há o fisicamente próximo, o vizinho e há o espiritualmente próximo, que pode estar em qualquer parte do mundo e se mobiliza procurando maneiras de ajudar e ser útil.

      Da mesma maneira há semelhantes “desassemelhados” e próximos distantes, pessoas que sejam quais forem as circunstâncias envolvem-se apenas com o que é de seu interesse imediato: interesse interesseiro.

      Felizmente, o que vimos em Santa Catarina foi solidariedade, empatia, gratidão, união em proporção suficiente para desconsiderarmos os casos egoístas que não faltariam na expressão humana no planeta.

      Solidariedade é um amor que não é solitário, nem egoísta, é um amor que se importa. Não é o amor do ciúme, da posse e do controle, que não deveria sequer ser categorizado como amor, mas é tratado como se fosse.

      Fraternidade é um sentimento e uma atitude de irmãos (frater em grego é ao mesmo tempo uma denominação de amor e de irmandade).

      Jesus convidou-nos incessantemente à solidariedade e à fraternidade. O Divino Amigo foi solidário e fraterno em todas as narrativas que a tradição nos trouxe através dos evangelhos.

      Encontramos o presente que podemos oferecer ao aniversariante, vamos chamá-lo de “efeito Santa Catarina”. Este presente é o exemplo vivido e sentido de todos os seres humanos que imediatamente se identificam com seus irmãos de caminhada humana e se movem, saem de suas zonas de conforto e vão imediatamente em direção daqueles que sofrem e precisam de auxílio. Aquelas senhoras que deixavam suas casas para ir cozinhar para a multidão de desabrigados, os bombeiros que infatigavelmente participavam das buscas, os voluntários que descarregavam centenas de caminhões de donativos, enquanto outros tantos faziam o trabalho de triagem do que chegava, sem nunca ter tido essa experiência antes.

      O ocorrido em Santa Catarina, só não vê quem não quer, possui, ao menos, duas grandes causas, a ingenuidade de construir casas nas encostas, acreditando que nunca haverá novamente tanta chuva ao ponto de que elas desabem de novo e, a falta de respeito com que a humanidade vem agredindo o equilíbrio do planeta, mudando o clima e o equilíbrio das forças da natureza. Estamos destruindo o Jardim do menino Jesus…

      Neste Natal, como presente ao Menino Jesus, podemos nos propor a reconstruir o seu jardim, mudando nossas mínimas atitudes com relação ao consumismo e a maneira como usamos os recursos não renováveis e, ofertarmos a ele a fraternidade e a solidariedade que Ele Próprio nos ensinou, não apenas com sangue, suor e lágrimas, mas, sobretudo, com imenso amor.

      Feliz aniversário Jesus, nós vamos reconstruir o seu jardim e copiar e multiplicar o efeito Santa Catarina em todas as situações do dia-a-dia, fazendo uma verdadeira corrente do bem, uma corrente que não aprisiona, somente liberta!

      Jesus, rega o jardim que começamos a replantar, regando primeiro o solo do nosso coração para que nele floresçam as árvores da fraternidade e da solidariedade, as flores da paz e da compreensão e, sobretudo, os frutos doces do amor com que nos educaste!

      http://www2.uol.com.br/vyaestelar/atitudes_solidariedade.htm

    • Não consigo decidir nada em minha vida ... E agora?

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      Não consigo decidir nada em minha vida … E agora?
      por Patricia Gebrim
      Outro dia fui a uma livraria, gosto do cheiro de livrarias, de passar a mão pelas capas dos livros, da expectativa que cada título sacode dentro de mim.

      Estratégia do caos – “A verdade é que temos medo do caos, temos medo do que não sabemos, temos medo e sentimos angústia frente à falta de respostas que tantas vezes nos assombra. Tememos o que parece ser a nossa própria loucura, tudo o que foge dos controles que aprendemos a associar à razão” Tirei um livro da prateleira ao acaso, creio que era “A História da Loucura”, de Michel Foucault. Abri em uma passagem que contava sobre uma máquina inventada na Idade Média, uma máquina para curar a loucura!

      Ouçam que interessante. Certos de que o trabalho era a cura para esse mal, a máquina era feita da seguinte forma: cavava-se um buraco bem grande, um poço… colocava-se o “louco” lá dentro e uma máquina para bombear água… ia-se enchendo o poço de água e o coitado tinha que bombear o tempo todo, jogando a água para fora, caso contrário morreria afogado!!!

      Quando ouvimos esse relato nos parece absurdo, sem sentido, cruel. _ Como podiam fazer algo assim? _ pensamos.

      Mas vejam… tanto tempo se passou, uma nova visão de tudo se formou, é verdade… mas quando olho ao redor muitas vezes vejo uma reprodução caricata dessa tal máquina, ainda nos dias de hoje!

      Quem somos nós?

      Pense naqueles momentos da sua vida que são praticamente enlouquecedores. Aqueles momentos nos quais somos tomados por sentimentos contraditórios… ou quando não sabemos por que caminho seguir… não sabemos com o que queremos trabalhar… não sabemos em que relacionamentos queremos ou não estar… não sabemos para onde ir… ou quem somos. Isso parece loucura!

      Como assim? “Não saber”? Em uma época onde temos acesso a tantas informações? _ Como assim, você “não sabe”? _ dizemos a nós mesmos, sem dó.

      A verdade é que temos medo do caos, temos medo do que não sabemos, temos medo e sentimos angústia frente à falta de respostas que tantas vezes nos assombra. Tememos o que parece ser a nossa própria loucura, tudo o que foge dos controles que aprendemos a associar à razão.

      Não raro, quando isso acontece, perdemos a compaixão por nós mesmos… como cruéis capatazes, nos sentamos ao nosso lado exigindo respostas! E caso estas não venham rapidamente, no tempo determinado por sei lá quem… caso a gente olhe em volta e se dê conta do caos, simplesmente entramos em nossas próprias máquinas de curar loucura!

      _ Ah, não aguento mais isso!!! _ dizemos a nós mesmos. _ Vá trabalhar que isso passa! (você já ouviu um ditado que diz que “cabeça vazia é a oficina do diabo”?)

      E a voz dentro de nós não desiste: _ Vá se divertir! Ou… vá comer! Ou… FAÇA QUALQUER COISA… entre na droga da máquina de curar loucura! Faça qualquer coisa… menos ficar no meio desse horrendo lugar de não saber. Fuja do vazio! Faça!… Faça!… Faça! …Faça!… Faça!… assim é o som da nossa máquina… como se assim, a cada ação, bombeássemos um pouco de loucura para fora de nossos assustadores poços… (será?)

      Assim, nos catapultamos para fora de nós mesmos, fugimos do que acreditamos ser o “vazio enlouquecedor” e mergulhamos no mundo externo dos “fazeres”. E , infelizmente, saímos do único lugar onde as respostas poderiam nos encontrar… Lá mesmo, naquele lugar de dúvida e caos, naquele lugar de não saber, no fértil vazio onde brotam as sementes da alma. Naquele lugar que muitas vezes é uma mistura assustadora de sentimentos e percepções não organizadas… como inúmeras peças de um quebra-cabeças flutuando em uma daquelas câmaras onde os astronautas treinam para ir ao espaço. Está tudo lá!

      Se pudéssemos ficar, e juntar as pecinhas aos poucos… Ah, se pudéssemos nos aquietar um pouco a mente, sem tantas cobranças, sem tanta tortura, sem tanto peso. Se pudéssemos conviver com a nossa angústia, um pouco que fosse, se a pegássemos no colo como pegamos a um bebezinho assustado, até que ela se acalmasse encontrando nosso peito… E se pudéssemos escutar os batimentos de nosso coração, até que aquele ritmo de vida nos acalmasse, em breve saberíamos… não há como não saber.

      Se conseguíssemos transformar a cobrança rígida por respostas em uma oportunidade de descobrir algo novo, de desvendar um mistério… com aquela excitação gostosa que temos quando crianças… tudo seria mais fácil, eu sei que seria.

      Então, se você estiver em meio a um problema não resolvido, se estiver sem saber para onde ir, ou o que fazer… se tiver esquecido quem você de verdade é… permita-se sentir isso. Sente-se no meio do não saber e observe. Observe a si mesmo, observe o mundo ao seu redor, e tranqüilize-se.

      Em breve algum sentido há de surgir… inicialmente como um alívio, o alívio de não ter que fugir de si mesmo…

      O resto… bem o resto você terá que experimentar por si mesmo!

    • Quebrando amarras

      Quebrando amarras
      por Angelina Garcia

      Mara nem era daquelas que vivem se queixando da vida; procurava envolver o menos possível a família ou os amigos em suas questões pessoais, um pouco porque acreditava que quanto mais proclamasse seus problemas mais contribuiria para que tomassem forma e se fortalecessem, ampliando-se de tal maneira que, ao invés de resolvê-los, acabava engolida por eles. Além disso, pensava no quanto poderia incomodar o outro com aquilo que no final ela mesma haveria de decidir. Assim, quando dividia com alguém alguma coisa que a perturbava, normalmente já chegava com a solução, ou, no máximo, escolhia questões cuja discussão pudesse acrescentar algo ao seu interlocutor.

      Daquela vez foi diferente. Sentiu-se frágil para enfrentar sozinha uma situação e se abriu, sem reserva, a uma pessoa próxima. Antes que terminasse de falar, ouviu a resposta pronta:

      - Imagine, você é forte e vai tirar isso de letra.

      É compreensível que ao perceber Mara em um estado nada costumeiro, a pessoa quisesse retorná-la ao lugar de forte; talvez porque a tomasse como modelo e quebrá-lo seria admitir a própria fragilidade. Mas, naquele momento, Mara não queria ser forte. Não esse “forte” exigido por todos o tempo todo.

      A idéia de responder às expectativas que nos circundam se estende a qualquer lugar que, por diversas circunstâncias, fomos determinando e deixando que fosse determinado para nós. O lugar pode ser fixo, nós não. É possível nos movermos no seu interior, ou mesmo percorrer um caminho até o outro extremo, sem nos curvarmos ao pensamento de que somos inconstantes ou sem personalidade.

      O encontro com nossa fragilidade, por exemplo, pode nos permitir uma abertura a sensações e sentimentos aos quais teríamos mais dificuldade para chegar quando preocupados em nos manter fortes.

      Força vem muitas vezes associada à rigidez da pedra. Se, por um lado, a metáfora nos leva a pensar em alguém que agüenta qualquer tranco da vida; por outro, remete-nos à imobilidade, ao fechar-se, ao bastar-se. Sabemos que algumas pedras só mostram a beleza quando partidas ao meio. E a beleza em ser humano está na gama de possibilidades do que podemos ser. Furtar-se a experimentar essas possibilidades é abafar nossas contradições que, afinal, nos tornam mais humano. Quantas vezes temos vontade de sair do mesmo, de criar outras maneiras de lidar com a vida, mas por medo do ridículo, permanecemos no previsível.

      É importante nos colocarmos atentos a que nos compromete determinados lugares. Se como elogios que desejam ser nos impulsionam, ou se nos amarram.

      “Neguei o pé à ferradura
      Livrei o lombo do arreio
      Da cara caiu o freio

      Soltei as rédeas
      Segui o vento
      Galopei"

    • Consequências da violência sexual contra a mulher

      “Pacientes que sobrevivem aos traumas físicos ou psicológicos gerados por tais violências não merecem ser chamadas de vítimas e sim de sobreviventes, segundo o médico Jefferson Drezett, um dos maiores estudiosos brasileiros nesta área”

      “Os efeitos emocionais são os principais: intensos, devastadores e irrecuperáveis” A violência física ou sexual contra as mulheres ainda é alarmante. Perdem-se mais anos de vida saudável, com incapacidade gerada, do que em doenças graves como câncer da mama ou de colo de útero.

      Há doze milhões de crimes sexuais no mundo. Só nos EUA, há 683 mil estupros por ano, enquanto que na cidade de São Paulo há o registro de 42 mil estupros por ano.

      Pacientes que sobrevivem aos traumas físicos ou psicológicos gerados por tais violências não merecem ser chamadas de vítimas e sim de sobreviventes, segundo o médico Jefferson Drezett, um dos maiores estudiosos brasileiros nesta área.

      O pior também é que apenas 13% das mulheres que chegam ao IML-SP (Instituto Médico Legal de São Paulo) conseguem prova material do estupro. Entre 28% a 60% das mulheres poderão desenvolver DST (doença sexualmente transmissível). Já o risco de infecção de HIV gira em torno de 0,8% a 2,7%, segundo literatura especializada. Tal risco é duas vezes maior em gestantes.

      É importante haver a quimioprofilaxia para infecção de HIV, nos casos elegíveis e corretamente indicados. Outras DST, assim como as hepatites B e C, também requerem acompanhamento médico.

      Dados trágicos incluem também uma possível gravidez por violência sexual, já que metade das mulheres estupradas está no período fértil. A estimativa da taxa de gravidez por violência sexual tem uma incidência de 1% a 5%. Só nos EUA, há cerca de 32 mil gestações anuais por violência sexual.

      Violência sexual e anticoncepcional de emergência

      Em tais gestações indesejadas, por conta do estresse pós-traumático gerado e outros transtornos mentais ou comportamentais, deve-se oferecer um amplo apoio psicológico aos envolvidos. Cabe ressaltar que o anticoncepcional de emergência, com derivado de progesterona (levonorgestrel), quando bem indicado, é uma prevenção contra a gravidez gerada por violência. Não há quaisquer evidências científicas de que tal método anticoncepcional seria abortivo, daí não precisar haver oposições neste sentido de grupos religiosos preocupados com a polêmica questão do aborto.

      Os efeitos emocionais são os principais: intensos, devastadores e irrecuperáveis. Até mesmo alguns profissionais despreparados que atendem tais pessoas podem, sem dúvida, agir de forma preconceituosa agravando os danos psíquicos. Muitas dessas mulheres desenvolvem transtornos de sexualidade. Cerca de 18% das sobreviventes têm pensamentos suicidas.

      Acolhimento é de grande ajuda na reabilitação psicossocial da mulher

      Cabe a todos nós, como cidadãos, governantes ou profissionais da saúde, uma ampla reflexão sobre tais agravantes. A sociedade precisa se mobilizar para combater tal mazela. Os psicólogos têm que tomar cuidado para não haver manipulação por parte dos abusadores, geralmente, pais, tios e padrastos sedutores e educados. Devemos exigir a garantia do cumprimento dos direitos humanos, protegendo a vítima com dignidade, respeito e sensibilidade. O atendimento deve ser integral e ético, sem pré-julgamentos ou críticas. O acolhimento é a melhor ferramenta na reabilitação psicossocial de tais vítimas.

    • Ensino público

      Categorias: Educação

      Recebi duas correspondências de mães de dois jovens que se dedicaram com afinco, no ano passado, a estudar para o vestibular. Uma delas anunciou que, após dois anos de preparação, seu filho finalmente conseguiu classificação para matricular-se em uma universidade pública reconhecida, que ele tanto almejava.Agora ela quer saber o que pode fazer para ajudar o filho nessa nova fase da vida.

      A outra mãe não sabe como agir porque seu filho não atingiu classificação para a universidade pública, mas passou em uma universidade privada que ela considera boa e cuja mensalidade a família pode pagar. No entanto, o jovem se recusa a fazer a matrícula porque considera humilhante obter um diploma de graduação nessa universidade depois de cursar o ensino médio em uma escola muito bem avaliada. Essa mãe quer convencer seu filho a mudar de opinião para não desperdiçar um ano de estudos.

      Creio que esses dois depoimentos juntos nos dão um retrato de como nossos equívocos a respeito da avaliação que fazemos sobre o ensino público e o ensino privado têm reflexo nos mais novos. Criamos uma verdadeira contradição nesse sentido, não é verdade?

      De um modo geral, a classe média optou por colocar seus filhos durante o ensino básico em escolas particulares: desde as famílias mais abastadas, que conseguem pagar as caríssimas mensalidades de algumas escolas consideradas “as melhores” por diversos motivos, até famílias mais simples, que vivem com orçamento apertado e que conseguem escolas particulares com mensalidades bem mais em conta. Para ter uma ideia, encontrei pais que pagam desde R$ 330 por mês pela escola dos filhos até os que arcam com perto de R$ 2.000. Ou seja, há escolas privadas para todos os bolsos.

      O que importa é que, independentemente do projeto pedagógico da escola, do empenho e do compromisso de seus docentes, da didática utilizada etc., decidimos valorizar o ensino básico privado e, consequentemente, desvalorizar o público, com raras exceções. Pode não parecer, mas tal atitude gera muitas consequências para a educação do país: a classe média não se importa com as políticas públicas em educação, a imprensa se ocupa muito mais com o que acontece nas escolas privadas e ressalta as mazelas das públicas, e a boa educação escolar segue como privilégio de classe.

      O curioso é que a lógica aplicada se inverte no ensino universitário: a mesma classe média passa a valorizar o ensino público e a desvalorizar a maioria do privado.Que raciocínio é esse? Com ele, criamos distorções importantes. Famílias enfrentando problemas financeiros que poderiam transferir os filhos para escolas públicas escolhem continuar nas particulares mesmo inadimplentes, por exemplo, sem falar da imagem que passamos aos mais novos, como no caso do filho da leitora citada.

      Até quando vamos sustentar a complexidade que é a educação escolar com essa equação tão simplista?

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      Categoria: Folha Equilíbrio
      Escrito por Rosely Sayão às 10h45*