Hoje é meu dia…
Deus meu, isso é que é ironia,
vivo sem cidadania…
Só comércio… E coisa e tal.
Pouco me valem
uns momentos de euforia,
se o ano inteiro, é correria,
guerra santa, desigual.
Arrumo casa,
planto amor e colho filhos,
sonho sobras de sonhares,
ponho roupa no varal.
Trabalho fora…
Pelo chefe, sou “cantada”,
por bandidos, estuprada,
por marido… Assassinada!
Lei é coisa ornamental!
Sou brasileira…
Se doutora ou faxineira
- mesmo que eu fosse rameira…
Eu sou gente, plena, inteira,
mais que bunda e peitoral.
Por este dia,
dá-me o abrigo do teu peito,
teu irrestrito respeito,
sem presente ou festival.
Hoje é meu dia…
Dia de toda Maria,
sem direitos, sufocada…
Puro engodo, que mascara
a escassez dos meus direitos,
os infindos preconceitos,
que me agridem,
fazem mal!
- Patricia Neme -

