A felicidade é uma gama de emoções ou sentimentos que vai desde o contentamento ou satisfação até à alegria intensa ou júbilo. A alegria adquire-se. É uma atitude de coragem. Ser alegre não é fácil, é um ato de vontade. Nessa trajetória em África, que está próxima do fim, entendi que a melhor maneira de se ser feliz é contribu

ir para a felicidade dos outros e que o homem feliz é aquele que não tem tempo para pensar nas suas coisas. Vivi todo esse tempo aqui de forma profunda e realizada. Ninguém nunca poderá entender o que agora trago aqui dentro. Nenhum ser ou criatura desse mundo vai entender a mística e a magia que Moçambique lançou dentro de mim. Agora descobri o meu lugar. Cheguei aqui com essa grande inquietação. Onde é o meu lugar? Hoje posso responder com tranqüilidade: Onde os menores precisarem de mim, lá será sempre o meu lugar! Coragem, foi a palavra que mais utilizada para convencer a mim mesmo de seguir e não desistir pelo caminho. Essa foi grande escola é o amor. As exigências do amor levam a grandes heroísmos. Quando a amor é verdadeiro, o sacrifício não dói; o amor faz estimar como bem próprio o que é um dever. Contudo, meus deveres deixaram de ser tão grandes e pesados, o amor tomou o seu lugar próprio. Os meu medos se tornaram menores, aliás, pra ser ainda mais verdadeiro, sempre tive medo de mim mesmo. Medo que num súbito conflito interno eu deixasse pra trás toda semente lançada. Agora sei que a coragem que construí é resistência ao medo, domínio do medo, e não ausência dele. Não tenho nenhuma coragem, mas procedo como se a tivesse. Parece engraçado mas essa é a forma que eu encontro dia apos dia pra convencer o meu “eu” que posso ir além e ser melhor! Quase pensei em desistir de vir pra África pois pensava que não seria capaz de o fazê-lo. Estava cansado de um certa luta interior que travei, mas hoje entendo que o homem é feito para a luta, não para o repouso. As pessoas que tentam fazer uma coisa e fracassam estão definitivamente melhor do que os que procuram não fazer nada e o conseguem. Sempre trouxe em mim o desejo de voar, mas me via rastejando em cima dos meus sonhos. E me questionei por que estou me contentando em viver rastejando, quando sinto o desejo de voar? Abracei a minha vontade lançada a luz da verdade e dei o passo que me provou quem eu sou e quanto ainda posso fazer. Moçambique é apenas o começo da minha longa jornada de desenvolvimento. Volto pra casa feliz pois tenho a certeza que fui o que precisava ser, e fiz o que pude fazer. Há circunstâncias na vida em que a dignidade humana pode exigir grandes sacrifícios, isto é, heroísmo. Ninguém tem autoridade moral para exigir de outro um comportamento heróico. Cada um de nós tem essa obrigação, não porque outros nos peçam ou censurem se o não fizer, mas porque as próprias coisas nos pedem; pede-o sobretudo a dignidade humana. Não existe ato heróico. O verdadeiro heroísmo consiste em persistir por mais um momento quando tudo parece perdido. Em minha tarefa Não existe o sentimento de superioridade, apenas a satisfação de ter feito parte da história de um povo que me ensinou amar e ser amado.