Daniela Souza Pinto é executiva de contas da empresa de telecomunicações OI. Trabalha na área de relacionamento com operadoras, o que lhe toma muito tempo e exige muita viagem. É também uma voluntária de muitas ações. Sabe por quê? Para ela, voluntariado é diversão. Daniela falou ao Portal do Voluntário em São Paulo (SP). Leia sua entrevista.
O que é ser voluntária?
Daniela Souza Pinto - Ser voluntária para mim é ajudar as pessoas, doando tempo, trabalho e talento, de forma a melhorar sua qualidade de vida.
Está envolvida atualmente com alguma ação voluntária?
Daniela Souza Pinto - Participo de várias ações através da empresa para qual trabalho. As ações, em geral, são organizadas por ONGs que convidam os funcionários a participar e nos dão o suporte necessário antes e durante.
Alguma atividade a atrai mais?
Daniela Souza Pinto - Minha participação mais freqüente é em um programa que realiza palestras sobre empreendedorismo para estudantes de escolas públicas.
Dá para sentir alguma mudança nos estudantes?
Daniela Souza Pinto - Após as palestras, sinto que mudei algo no caminho de alguns destes estudantes, que plantei uma semente de motivação e autoconfiança para que eles tracem um caminho de sucesso em suas vidas. Estudei em escola pública, vim morar em São Paulo sozinha para estudar, enfim, tenho uma trajetória de dificuldades, mas com sucesso no final; acho que eles realmente vêem em mim um exemplo que pode ser seguido.
Que experiências já teve como voluntária?
Daniela Souza Pinto - Já tive muitas experiências, as primeiras foram com minha mãe no interior de SP quando eu ainda era adolescente, ela e um grupo de amigas organizavam almoços, jantares, bazares, rifas, para arrecadar dinheiro e doações para instituições da cidade. Eu ajudava na venda de ingressos, arrumação do salão e durante o evento no que eu soubesse fazer.
Continuou depois participando de ações voluntárias?
Daniela Souza Pinto - Individualmente tive a primeira experiência aos 17 anos enquanto era estudante intercambista nos EUA. Anualmente a prefeitura da cidade onde eu morava organizava um Festival da Ostra. Toda a montagem era feita por voluntários e o dinheiro arrecadado ia para os projetos sociais da cidade.
Vesti-me de palhaço e desfilei na abertura do evento; depois fui para a cozinha empanar ostras. Adorei! Tive outras oportunidades e participei, gosto de ajudar. Este ano posso citar também minha inscrição e participação na campanha de doação de medula óssea e a campanha de Natal da Oi que arrecadou brinquedos.
Dá para comparar o voluntariado que encontrou por onde andou com o voluntariado que conhece no Brasil?
Daniela Souza Pinto - Na prática, a experiência que tive fora do Brasil foi muito parecida com a que tive aqui, não consigo apontar diferenças. Pelas viagens conheci bastantes pessoas que vieram para o Brasil e para países da América do Sul fazer trabalho voluntário e em troca ganharam vivência, experiência profissional e aprenderam a língua. Uma espécie de intercâmbio.
Você diria que batalhar pelo Sistema Público de Saúde (SUS), lutar contra a corrupção na política e na administração pública, exigir mais segurança na cidade de São Paulo etc. são bandeiras e ações prioritárias para voluntários?
Daniela Souza Pinto - Creio que estes temas tão importantes devam ser preocupação – bandeira – de todos: ONGs, voluntários, políticos e cidadãos, sem exceção. Cada um deveria cumprir seu papel, mas tenho visto uma maioria de cidadãos apáticos e políticos que só prometem. Parece que a luta sobrou para os voluntários e ONGs. As que são sérias, é claro, porque também temos tido muitos problemas com estas organizações.
Segundo Kofi Anann, ex-secretário geral da ONU, os voluntários são as esperanças de um futuro melhor…
Daniela Souza Pinto - Não disse? Sobrou para o voluntário resolver tudo! Acho que os voluntários tem sim um papel muito importante para fazer um futuro melhor, e que o voluntariado deve ser incentivado de todas as formas possíveis, mas acho exagero dizer que somos as esperanças de um futuro melhor.
Como é seu dia a dia e como você arranja tempo e energia para ser voluntária?
Daniela Souza Pinto - Meu dia-a-dia é bastante agitado. Trabalho longas horas de segunda à sexta, vários dias viajo a trabalho, estudo duas vezes por semana à noite. Pratico atividade física duas a três vezes por semana e, sempre que posso, viajo nos finais de semana para descansar. Não preciso me preocupar com a casa, eu e meu namorado dividimos as tarefas e temos ajuda de uma diarista.
As ações voluntárias chegam a ‘pesar’ na sua vida?
Daniela Souza Pinto - Procuro não me sobrecarregar e dosar a responsabilidade e a diversão. Voluntariado para mim é diversão. Faço com prazer e é muito gratificante. Minha motivação é sempre ajudar, fazer algo de bom para alguém.


