É acreditando que pequenos gestos podem mudar a sociedade que o Centro de Voluntariado da Amazônia trabalha pela melhoria da qualidade de vida dos moradores das regiões próximas, assim como na proteção ao meio ambiente. Em entrevista, Claudio Cavalcanti, idealizador e coordenador da ONG, conta como funcionam os projetos e o sistema de voluntariado.
Como surgiu o Centro de Voluntariado da Amazônia?
Claudio Cavalcanti - Desde a década de 1960 nosso voluntário mais antigo, o advogado Franklin Rabêlo da Silva, tem ações de voluntariado na Amazônia, mais na cidade de Chaves-PA, no arquipélago do Marajó.
Em 1994 assumimos uma nova “roupagem” a esse trabalho adequando ao voluntariado e à responsabilidade social. De lá pra cá só temos aumentado nossa rede de relacionamentos.
De que forma os voluntários se organizam?
Claudio Cavalcanti - Organizamos nossos voluntários no que chamamos de rede de relacionamentos. Acreditamos que uma pessoa possa mobilizar pelo menos outras cinquenta nos seus grupos de convivência (escola, trabalho, lazer e família) e consequentemente uma dessas possa mobilizar outras, criando novas redes de voluntários(as). No estado do Amapá essa metodologia reduziu em 100% o número de crianças vítimas de escalpelamento por eixo de motor de barco, diminuiu e estabilizou o número de crianças queimadas por água quente e álcool liquido e localizou dezenas de crianças com a deformação da fissura do lábio palato no período de 2003 a 2007. Acreditamos que esta importante matéria do site Itaú Voluntário servirá de multiplicador de nossas informações contidas no www.voluntariadoamazonia.rg3.net, ampliando nossa rede.
Inauguração da Casa de Justiça e Cidadania da Justiça Federal do AmapáQuais as principais ações desenvolvidas pelo Centro?
Claudio Cavalcanti - Nossas ações principais dizem respeito a melhoria da qualidade de vida da Amazônia, proteger o meio ambiente e o povo que nela vive. Esclarecer aos brasileiros que vivem fora da Amazônia as principais dificuldades e maravilhas naturais que precisam urgentemente ser protegidas.
Vocês atuam muito na prevenção de acidentes e cirurgias, principalmente de queimaduras e lábio leporino. Como funciona esse trabalho?
Claudio Cavalcanti - Nossa Médica voluntária e cirurgiã plástica Dra. Zeneide Alves de Souza, opera estas crianças faz trinta anos, ela tratava uma média de 13 crianças por ano vítimas de escalpelamento por eixo de motor de barco. Com o trabalho de prevenção conseguimos em 2007 zerar o número dso acidentes com crianças em nossa região, para se ter idéia do tamanho do problema, em 2008 o Ministério da Saúde registrou 9 mil procedimentos de atendimento a escalpelamento em todo o Brasil.
A questão do escalpelamento é comum na região. Como conscientizar e informar a população da importância de se prevenir de acidentes desse tipo?
Claudio Cavalcanti - Para se solucionar um problema grave como esse devemos primeiro conscientizar a sociedade de que o escalpelamento de crianças ocorre em todo o Brasil, e é mais comum nos nove estados da Amazônia brasileira devido aos seus mais de 80 mil barcos. Nesta região a confecção de barcos artesanais tem seus motores expostos causando os acidentes.
Durante a viagem do barco é solicitado que a criança ou mulher retire água do fundo do motor, e neste momento o cabelo é tragado pela máquina e em questão se segundos a tábua óssea fica exposta.
O renomado cirurgião plástico Dr. Ivo Pitanguy reconheceu, a voluntária da Amazônia Dra. Zeneide Alves de Souza, como referencia nacional no tratamento desses casos graves e reafirmou o que já dizemos sempre, o fato de que o escalpelamento ocorre também em escadas rolantes de shoppings, com cachorros “pitbull” e em qualquer motor que possa arrancar seus cabelos longos.
A conscientização através da informação, é o caminho que acreditamos viável para a redução desses casos graves.
Como foi a participação no Encontro Itaú Voluntário em Manaus em 2008?
Reunião dos voluntários para definir as estratégias de combate aos 30 anos de mutilações das crianças da AmazôniaClaudio Cavalcanti - Foi excelente! Trocar experiências com os colaboradores do Banco Itaú foi algo revigorante e esperamos contar com novas parcerias em outros estados brasileiros, como foi o Encontro de Manaus em 2008, e ampliar nossa rede de relacionamentos.
O Centro de Voluntariado da Amazônia conta com o apoio da Rede de TV local. Que vantagens esse apoio traz para o trabalho dos voluntários?
Claudio Cavalcanti - É fundamental que os veículos de comunicação (rádio, tv, jornal e internet) participem na mudança cultural da falta de prevenção de casos graves com crianças e na proteção do meio ambiente da Amazônia. Graças a participação voluntária dos profissionais da imprensa conseguimos zerar o número de escalpelamentos com crianças no Amapá e Arquipélago de Marajó-PA em apenas quatro anos. Iisso só foi possível graças a uma rede de relacionamentos atuante e solidária, na qual a mídia é um dos maiores atores.
O que os voluntários de Amapá podem fazer?
Claudio Cavalcanti - Ampliar a rede de relacionamento do Centro de Voluntariado da Amazônia é o primeiro passo. Há algum tempo estamos propondo às agências do Banco Itaú do estado do Amapá que façam a adesão ao projeto. Esperamos que com essa entrevista tenhamos um sinal de solidariedade nas agências próximas a nós.
Vocês trabalham com a idéia de que apenas um voluntário é capaz de mobilizar outras cinquenta pessoas, criando uma grande rede de voluntários. Como essa idéia é trabalhada na prática?
Voluntários em educação ambiental na AmazôniaClaudio Cavalcanti - É muito simples. Somos um povo solidário por natureza. A idéia de voluntariado na Amazônia é, ao nosso ver, promissora, em especial no campo da valorização pelo sentimento coletivo de ação, na busca de caminhos associativos para o encontro de uma nova realidade e de uma nova sociedade da qual sejamos todos construtores com a força da solidariedade na busca da paz, que edifica um mundo mais justo.
Na prática, todos nós já temos essa “semente” da solidariedade precisando apenas ser cultivada. O que nós fazemos aqui é desencadear um processo, que cresce exponencialmente e que se perpetua através da energia solidária do voluntariado da Amazônia.
Pequenos gestos podem parecer uma gota de água no oceano, porém, juntos podemos criar um tsunami de solidariedade.
Doe seu tempo para nós!
Milhares de pessoas já foram atendidas pelo nosso projeto, Seja Voluntário da Amazônia!
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site: www.voluntariadoamazonia.rg3.net
Endereço: Av. Presidente Vargas, 1062 – central – Macapá – Amapá



Larissa de Carvalho:
Olá... tenho interesse em participar de algum projeto de trabalho voluntario, se puder me dar alguma indicaçao. Sou estudande de Direito, tenho 19 anos. Obrigada!