Resolvi escrever este relato contando um pouco sobre o meu trabalho na área social, os personagens que encontrei no caminho e a diversidade de trabalhos e resultados que encontrei, e ainda estou encontrando, nesta caminhada.
Era uma rua sem saída, muito simpática e limpa, de uma calçada tão estreita como uma passarela. Quem ali entrava, s
e não fosse morador, era para fazer visita ou entregar encomendas. Assim não havia gente transitando nem automóveis em disparada, um sossego para as mães daquela rua sem saída.
Este é o primeiro parágrafo do livro Uma rua como aquela, de Lucília Junqueira de Almeida Prado. Livro que li na minha infância e que é, mais ou menos, a descrição de uma das ruas que me levou a escolher este caminho.
Há cerca de 13 anos eu morava na interior na cidade de Itapetininga e não conhecia outro meio de pesquisa senão os livros da Biblioteca Municipal. Com lápis e caderno embaixo dos braços, lá estava uma jovem disposta a copiar páginas e páginas dos livros sem ao menos saber o que havia naquelas linhas sobre um trabalho: Júlio Prestes uma rua muito conhecida da cidade. Para meu espanto, descobri que não havia livros e relatos na cidade. Descobri o quanto era escassa a qualidade ensino e a carência no sistema. Sabia que poderia fazer algo para melhorar a qualidade da educação e de informações das pessoas menos favorecidas.
Já na faculdade de jornalismo, atuei com um assentamento de sem teto. E mais tarde, sem muito conhecimento e um pouco insatisfeita por não atuar diretamente com a área social, descobri na assessoria de imprensa uma forte aliada para conseguir alcançar meu objetivos profissionais. Iniciei trabalhando como assistente em uma assessoria de imprensa. Atuei com o ICE Instituto de Cidadania Empresarial, e descobri que poderia fazer algo mais.
Depois, resolvi fazer um trabalho voluntário. Para minha surpresa não conseguia encontrar uma organização que aceitasse o meu trabalho. Finalmente, fui aceita por uma ONG, a Associação Mundaréu para o Comércio Justo, onde mais tarde atuei como profissional contratada na área de comunicação.
Ajudei a divulgar a FUNAP - Fundação de Amparo ao Preso, e também a Associação Viva e Deixe Viver. Onde encontrei fundadores e organizadores competentes, que me ensinaram o valor de uma pequena ação.
Hoje, sou voluntária contadora de histórias para crianças hospitalizadas pela Associação Viva e Deixe Viver. A vida é um ciclo e hoje treino para contar aquela história do início: Uma Rua Como Aquela, livro que li na infância, para crianças e adolescentes que precisam de mim no hospital. E não somente de mim, mas de centenas de voluntários pelo Brasil afora. Nós podemos fazer algo para mudar o nosso mundo. Reclamar do poder público não irá ajudar em nada. A iniciativa de cada um pode fortalecer as ações sociais.
Observação: hoje atuo na divulgação da ARCA Brasil, de proteção animal, e também da Aguilla-Saúde Brasil, que trabalha comunicação sobre saúde, educação e meio ambiente.
Espero que meu relato seja um exemplo para outras pessoas se sentirem motivadas a atuarem seriamente com o Terceiro Setor.
Um grande abraço,
Irene Tanabe


