Djalma dos Santos representou a ONG Beija-Flor que atende crianças e jovens de cinco a vinte e um anos de idade. Nas horas do dia em que estão na entidade elas têm contato com um mundo muito diferente do que elas vivem em seu cotidiano, como explicou Djalma: “Ela sai do Beija-Flor, sai daquele mundo colorido e vai para o barraco, para casa ou ainda para as escolas de Diadema que são totalmente ‘estouradas’, bastante pichadas com o material e equipamento escolar deficitário”.
As mesmas crianças que estudam nessas escolas freqüentam o espaço Beija-Flor. Porém, na instituição os jovens e crianças participam diretamente da conservação do local e é daí que vem a inspiração para trazer as mudanças. “A gente sustenta o Beija-Flor com a ajuda dos participantes. Eles não picham, eles não quebram, eles ajudam nos mutirões, eles fazem o que for necessário para manter o espaço limpo. Djalma completou dizendo que os participantes precisam entender o seu papel e entender o impacto de suas ações.
Para ele só há participação comunitária quando a comunidade entende o motivo da sua participação, quando a população entende o que está fazendo. A formação do cidadão que trabalha nesses movimentos sociais é importante. Ele conclui. “O papel da universidade é fortalecer a formação desses jovens para fortalecer a formação dessas comunidades. A universidade tem que entrar nas comunidades, apoiar os projetos, e, como o meu diretor [Gregory John Smith] costuma dizer: ‘A gente tem 80% de experiência de vida, por ver, por passar por aquilo. A academia oferece os outros 20%’, a gente precisa disso para desenvolver um trabalho respeitado e que tenha continuidade”, completou.
O Beija-Flor é um projeto totalmente independente de qualquer órgão público. Os recursos da ONG são captados fora do Brasil e isso, segundo Djalma, dá ao movimento a liberdade de desenvolver e aplicar metodologias.
No final de sua exposição, Djalma mostra a que veio: “Eu decidi fazer o que estou fazendo hoje. Isso é o que eu falo em todos os lugares onde que vou: você decide o que quer fazer, se dará certo ou errado, é com você, mas depende do que você quer. Acredito que o Beija-Flor foi tudo para mim. É o meu trabalho hoje, é onde tiro meu sustento e faço tudo. Deu certo para mim. Faz só quatro anos que eu estou imerso nessa maré social, nessa questão do Protagonismo Juvenil que eu sempre ouvi falar, mas nunca vi protagonismo nenhum…” e completou: “Engajamento é bom, mas sem entendimento ele não serve por muito tempo”, disse
FONTE: www.metodista.br/gestaodecidades/publicacoes/boletim/11/historias-reais-traduzem-o-que-e-participacao-social-relatos-bem-sucedidos